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A revista Jesus Histórico dedica-se a publicar artigos, resenhas e entrevistas com especialistas renomados e jovens pesquisadores. O interesse editorial está associado a todo o enfoque ligado às recentes pesquisas sobre o campo das experiências religiosas. Assim, por exemplo, a revista se interessa em receber trabalhos relacionados às múltiplas e variadas manifestações culturais e artísticas ligadas ao cristianismo, judaísmo, islamismo, hinduísmo, candomblé, espiritismo e outras tantas religiões. Trata-se, portanto, de um projeto editorial transdisciplinar, acadêmico e laico, interessado em congregar profissionais das mais diferentes áreas acadêmicas que pesquisem sobre esta temática.

 

 

DOSSIÊ
Religiões, religiosidades e espiritualidades Africanas.

Coordenadores
Carlos Alberto Ivanir dos Santos - 1
Mariana Gino - 2

A instauração dos domínios coloniais europeus em África não compreendeu apenas à imposição forçada do poder político, econômico e social. Ela foi, também, uma das maiores imposições culturais religiosas, valendo-se das mesma para dar apoio às superestruturas políticas, econômicas e sociais representadas pelo colonialismo nas culturas as quais se introjetava (OPOKU, 2010). Destarte, antes do contato colonial a religião tradicional em África estava (e ainda está) inseparavelmente ligada à cultura africana.  Segundo Emamauel Obiechina


Não existe qualquer dimensão importante da experiência humana que não esteja ligada ao sobrenatural, ao sentimento popular religioso e à piedade [...]. Tudo isso constitui parte integrante da estrutura ideológica da sociedade tradicional e é essencial para uma interpretação exata da experiência no contexto social tradicional (OBIECHINA, 1978)

Essa forte onipresença no modo de viver e agir dos povos africanos dava às religiões tradicional um caráter global, dentro do contexto cultural de onde se tinha nascido baseada em uma visão muito particular de ver e compreender o mundo, e que não incluía apenas a percepção do divino, mas também a compreensão da natureza do universo, de todos os seres humanos e do seu lugar no mundo. Com o início da dominação e imposição colonial na África, a partir do ano de 1885, conduziu-se uma enorme à difusão das influências europeias até o âmago do continente (OPOKU, 2010).

O início do processo colonial em África foi o marco dos desafios da sobrevivência e da necessidade de se fortalecer das religiões tradicionais.  Haja vista que os missionários foram os porta-vozes da cultura ocidental, e que seus objetivos estavam claramente ligados não só a converter os africanos ao cristianismo, mas também à cultura ocidental. Com a intensão de contribuir para o fortalecimento e evidenciar  pesquisas e produções acadêmicas sobre o tema,  a Revista Jesus Histórico a chamada de sua edição de 2019.2, com o objetivo de privilegiar os estudos e pesquisas sobre Religiões, religiosidades e espiritualidades.

Referencia.

BÂ, Amadou. Hampâté Tradição Viva. In: História Geral da África: Metodologia e Pré-História da África. Vol. I. Brasília: Unesco, 2010, p. 167-212.

HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Lecciones sobre la filosofia de la historia universal. Revista de Iccdente: Madri, 1953.

HOBSBAWM, Eric. Sobre história; tradução cid Knipel moreira.  — São Paulo: companhia das Letras, 2013.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Tradução de Renato da Silveira. - Salvador: EDUFBA, 2008.

KI-ZERBO, Joseph. História da África Negra I, Lisboa: Publicações Europa-América. 2002.

MUDIMBE, Valentin Yves. A invenção de África: Gnose, filosofia e a ordem do conhecimento. Mangualde (Portugal), Luanda: Edições Pedago; Edições Mulemba, 2013.

OBIECHINA, E. 1978. Culture, Tradition and Society In the West African Novel. Cambridge, CUP.

OBENGA. T. Fontes e técnicas específicas da história da África – Panorama Geral In: História Geral da África: Metodologia e Pré-História da África. Vol. I. Brasília: Unesco, 2010, pp 59-75.

 

1 - Pós-Doutorando em História Comparada (UFRJ), membro da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, do Laboratório de História das Experiências Religiosas (LHER-UFRJ) e Laboratório de Estudos de História Atlântica das sociedades coloniais pós-coloniais (LEHA-UFRJ). Coordenador da Coordenadoria de Religiões tradicionais Africanas, Afro-brasileiras, Racimo e Intolerância Religiosa (ERARIR/LHER).Conselheiro estratégico do Centro de Articulações de Populações Marginalizadas (CEAP), Interlocutor da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR), Conselheiro Consultivo do Cais do Valongo. Tem experiência nas seguintes áreas; Educação, Direitos Humanos e Cidadania; Relações Internacionais; Étnicos Raciais e Questões Africanas (religiões e experiências religiosas de matrizes africanas no Brasil).

2 - Doutoranda em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Especialista em Ciências da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora, bacharel em Teologia pelo (ITASA-CES/JF/PUC-MINAS) e em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora, licencianda em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Membro dos grupos de pesquisa Religião e Modernidade (PUC-MINAS) e grupo de estudo Áfrikas (UFJF). Coordenador da Coordenadoria de Religiões tradicionais Africanas, Afro-brasileiras, Racimo e Intolerância Religiosa (ERARIR/LHER).  

 

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