Bem vindo ao site!

A revista Jesus Histórico dedica-se a publicar artigos, resenhas e entrevistas com especialistas renomados e jovens pesquisadores. O interesse editorial está associado a todo o enfoque ligado às recentes pesquisas sobre o campo das experiências religiosas. Assim, por exemplo, a revista se interessa em receber trabalhos relacionados às múltiplas e variadas manifestações culturais e artísticas ligadas ao cristianismo, judaísmo, islamismo, hinduísmo, candomblé, espiritismo e outras tantas religiões. Trata-se, portanto, de um projeto editorial transdisciplinar, acadêmico e laico, interessado em congregar profissionais das mais diferentes áreas acadêmicas que pesquisem sobre esta temática.

 

 

DOSSIÊ
Crenças Afro-brasileiras: presenças, diálogos e respeito.

            O dossiê "Crenças Afro-brasileiras: presença, diálogos e respeito" é o resultado de três dias de debates no GT de mesmo nome, realizado durante III Simpósio Internacional e 16º Simpósio Nacional da Associação Brasileira de História das Religiões (ABRH), em Florianópolis (SC), de 11 a 14 de outubro de 2018.
            Naquela oportunidade, observamos o quanto as produções acadêmicas voltadas ao campo religioso evidenciam a necessidade de aprofundarmos o conhecimento dos discursos e dos personagens envolvidos nos fenômenos religiosos afro-brasileiros, valorizando-os e estabelecendo diálogos transversais em prol da construção de uma cultura de respeito às diferenças. Pois, não se pode negar que, ainda, tropeçamos em situações de intolerâncias, desrespeitos e violências motivadas pelas identidades religiosas. O GT representou a oportunidade de estabelecer redes entre pesquisadores a fim de compartilhar metodologias, fontes e referenciais diversos.
            As pesquisas apresentadas durante o certame trouxeram à luz inúmeras disputas no campo religioso brasileiro ao longo do século XX, demonstrando que o processo de legitimação das religiosidades de matriz africana é um esforço antigo, marcado por tensões simbólicas que envolveram católicos, espíritas, candomblecistas e umbandistas em todos os estados do país. Aproximações e diferenças foram e ainda são, constantemente, evocadas para legitimar práticas e rituais.
            No passado, o discurso adotado pelos intelectuais da umbanda evidenciava a preocupação de tirar a religião das páginas policiais e de oferecer às autoridades e à sociedade os meios para diferenciar a "verdadeira" religião do "falso" espiritismo e da magia negra. E, neste sentido, chegou-se até a negar a presença da África na Umbanda, fato que alimentou intrigas e desentendimentos entre os próprios adeptos.
            Por sua vez, os Candomblés, à medida que deixam de ser religiões étnicas assumindo o escopo de religiões universais, dialogam de forma franca com narrativas que fogem às ideias de originalidade e purismo as quais, por muito tempo, serviram para balizar análises e interpretações, passando a compor e recompor repertórios que se misturam com práticas e sinais distintivos proveniente de diversas tradições. Sobretudo, tais denominações são parte de um terreno movediço que incorpora novas e cambiantes formas de se elaborar subjetividades e identidades grupais.
            Por fim, na contemporaneidade, as casas de culto passaram a ser percebidas como espaços privilegiados à promoção de procedimentos educacionais formais, informais e não-formais, os quais permitem o diálogo entre conhecimentos populares, religiosos e científicos. Do mesmo modo, os diálogos interdisciplinares promovidos entre inúmeras fontes de saberes nas escolas da Educação Básica apresentam-se como uma possibilidade de se consolidar como um ambiente pacífico de convivência inter-religiosa.

Prof. Dr. José Henrique Motta de Oliveira
Coordenador da Linha de Pesquisar História da Umbanda e Suas Percepções Multiculturais - LHER/IH/UFRJ

Prof. Dr. Gerson Machado
Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (SC)

UFRJ IH PPGHC ARCHAI Kliné Editora LHER Latindex REDIB